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Jornalismo e assuntos diversos

Ressaca

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Ontem foi Dia do Jornalista e acordei hoje com ressaca. Mas não é porque fui comemorar em algum bar, não. Como todos os dias e como a maioria dos colegas de profissão, trabalhei além da minha jornada de trabalho, li notícias o dia todo e acompanhei com o máximo de atenção possível essa tragédia no Rio de Janeiro. Acordei com ressaca de informação. Informação, aliás, de péssima qualidade e sem qualquer objetivo sério.

Não pode ser sério entrevistar essas crianças que estiveram no local, tentando dramatizar a história e fazer com que elas vomitassem as informações e comovessem o público. Não pode ser sério mostrar um vídeo amador que mostra a correria e o corpo do assassino na escada de uma escola. Menos sério ainda é ver no maior jornal do Rio a foto desse corpo. Não pode ser sério reduzir isso à discussão sobre segurança nas escolas. E não pode ser sério atribuir a loucura desse indivíduo a uma possível ligação com islamismo. Gente querendo se aproveitar de desgraça é o que mais se vê. E se vê porque a mídia dá espaço. Que lástima!

Quero ver alguém com peito para discutir desarmamento e combate ao tráfico de armas; programas de atenção à saúde mental; proteção aos direitos das crianças e adolescentes. Pra fazer mais do mesmo, realmente, não é necessário estudar e discutir o papel da comunicação.

http://www.youtube.com/watch?v=FnR915QFtbs

p.s.: e como se não bastasse, demissão em massa no Dia do Jornalista. Valeeeeu!

Escrito por cintyafeitosa

8 08UTC abril 08UTC 2011 em 3:11 pm

Pelo eleitor ficha limpa

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Foram cerca de 2 milhões de assinaturas. Pressão sobre 513  deputados. Depois, sobre 81 senadores. Um estardalhaço para uma coisa tão simbólica… É mais que lógico que o projeto Ficha Limpa é um grande passo para a política no Brasil, mas, parando para pensar no que funciona na prática, é um passo bem curto. Ficou decidido que os políticos condenados por decisão colegiada não podem se candidatar. É muito nobre, mas é absurdo pensar em tanta gente e tanto tempo mobilizados para decidir algo que nem deveria precisar de regra.

É louvável a mobilização popular para mudar algo que incomoda. Até para ser empregado é preciso provar que se tem “ficha limpa”. Por que então os nossos representantes nunca precisaram disso? É bem óbvio, até. Agora, cada um tem o que merece. É de rir que num país como o nosso as exigências caiam todas em cima dos políticos. Num lugar onde um voto é trocado por qualquer vantagem pessoal, dinheiro, presentes,  favores, promessas impossíveis de serem cumpridas. Como esse eleitor, que desperdiça sua cidadania, pode exigir algo de quem o representa? Pelo eleitor Ficha Limpa, já!

Escrito por cintyafeitosa

23 23UTC maio 23UTC 2010 em 11:14 pm

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Meu Deus, mas que cidade linda…

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Cíntya FeitosaMesmo com tanta descrença, mesmo com tanta tristeza, mesmo com tanta desesperança, brilhe, Brasília! Parabéns pelos seus 50 anos. Crise política, epidemia de dengue, chuvas que inundaram e causaram estragos em todo o DF, Noroeste, engarrafamentos gigantes, o maldito crack… Tantas coisas. São os tristes problemas de cidade grande. E você começa a crescer e sentir a dor e a delícia de ser. Para este aniversário, esperávamos mais. Esperamos uma festa enorme, vários motivos para comemorar. No entanto, o que se viu nos últimos meses tirou todo o encanto da comemoração.

Mas é preciso lembrar, hoje, de sua grandeza, que te faz maior que qualquer mazela. Te faz maior que os políticos corruptos que vêm de todo o país e mancham sua imagem; maior que os interesses dos ‘grandes’ que vivem por aqui; maior que o preconceito contra os brasilienses. Maior, bem maior, que o que vivemos nos últimos meses. Você merece afagos.

Seu lindo céu de abril, suas cores, sua arquitetura, seus migrantes, seus nativos, suas obras, sua cultura, sua identidade que começa a nascer, sua mistura, sua qualidade de vida… Mais que parabéns, obrigada, Brasília!

Escrito por cintyafeitosa

20 20UTC abril 20UTC 2010 em 7:18 pm

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Voto aos 16

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Tenho visto na internet campanhas sem fim pelo voto aos 16 anos. Tirei meu título de eleitor com essa idade, adorei ter esse direito. Me achava politizada, entendia de História e Geografia. Hoje, aos 20, obrigada a votar, vi como foi ruim poder ir às urnas aos 17. Somente o candidato à presidência ganhou meu voto convicto. O resto, não foi uma escolha sensata. Ajudei um cabo eleitoral no voto para deputado distrital, no federal, votei porque alguém disse que era um bom candidato, no senado anulei e no governador votei por falta de opção. Quanta imaturidade.

É importante estimular a política entre os adolescentes, mas não como é feito hoje. Garanto que se alguém fizer uma pesquisa entre os jovens de 16 anos, a maioria nem vai saber os candidatos. Se souber, não sabe quais são as propostas e vai votar simplesmente por simpatizar. Que política é essa? Defendo que se ensine política nas escolas. Que as notícias sejam debatidas. Que as escolas  expliquem qual o papel de cada político nas eleições. Aí, sim, condições justas para um adolescente votar.

Se eles não podem responder pelos seus atos em nenhuma situação, inclusive se cometerem um crime, por que podem responder pela escolha do futuro político do país? Sou favorável à participação de todos, mas não nos moldes de hoje. Aos 16 anos, a coisa menos importante (na cabeça dos adolescentes) é escolher quem vai estar no governo. Ficam à frente os namoros, o vestibular, os amigos, as crises existenciais, pulseirinhas do sexo… nunca a política.

Escrito por cintyafeitosa

14 14UTC abril 14UTC 2010 em 1:40 pm

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Jornalismo de verdade

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Aí, sim!

http://www.youtube.com/watch?v=BVjR8nbWEWw&feature=player_embedded

Escrito por cintyafeitosa

2 02UTC abril 02UTC 2010 em 2:49 am

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Equipe Serra

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Engraçadinho. Dá pra achar os personagens parecidos com a realidade. Apenas faço uma ressalva sobre o comentário a respeito de Kátia Abreu. O buraco é mais embaixo.

Escrito por cintyafeitosa

19 19UTC março 19UTC 2010 em 2:59 am

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Diário de uma foca – Desventuras em série (II)

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Hoje fiquei durante todo o tempo de trabalho às voltas com uma manifestação de policiais militares e bombeiros de outros estados na Esplanada dos Ministérios. Eles pediam piso único para a categoria em todo o país. Legítima a manifestação. No entanto, deveriam ocupar três faixas da via e no fim ocuparam todas as seis faixas. Um caos. Engarrafamento durante a tarde, coisa impossível em Brasília, e um trânsito com problemas em diversas vias do centro da cidade. A PM local estava lá para controlar o fluxo e desviar o tráfego para caminhos alternativos.

Mas espera aí… Em dezembro do ano passado, mal faz dois meses, um protesto de estudantes e outros militantes no Eixo Monumental foi palco de uma das cenas mais tristes da história recente da cidade. A cavalaria da PM esteve por lá, e os policiais usaram balas de borracha, bombas de efeito moral, gás. Todo o aparato disponível para controlar a “confusão”. Que confusão? Os manifestantes de dezembro, ao contrário dos de hoje, não bloquearam a via totalmente. O protesto deles deve ter durado cerca de três horas, e olhe lá. O de hoje durou pelo menos o dobro do tempo.

A polícia afirmou que a atitude não foi paternalista. E que os estudantes erraram, desrespeitaram a ordem e a PM tentou desobstruir de forma pacífica. Parece que, prevendo as críticas dos demais setores da sociedade, a polícia divulgou nota oficial em seu site, afirmando que os policiais que atrapalharam o trânsito e causaram confusão devem ser punidos. E que a PM daqui não concorda com a atitude. E aí? Essa polícia é a mesma de dezembro?

Escrito por cintyafeitosa

3 03UTC março 03UTC 2010 em 2:10 am

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Senhora cinquentona

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Desde que a Operação Caixa de Pandora foi deflagrada, fiquei apreensiva quanto ao aniversário de 50 anos de Brasília, cidade onde nasci e tenho orgulho de viver, apesar de tantas críticas por parte das pessoas que enviam os políticos corruptos para minha bela capital federal. Há pelo menos cinco anos eu faço a contagem regressiva para o ano em que minha cidade se tornaria cinquentona. Esperei uma grande festa, eventos o ano inteiro, visitantes de todos os lugares, efervescência cultural, além da política, que já é comum por aqui.

E aí, puf. Crise, confusão, histórias mal explicadas, um governador preso, um vice que renunciou e o presidente da Câmara Legislativa, que se acha “fofinho”, governador. Pelo menos até o momento em que digitei isso, porque as coisas por aqui mudam de uma hora para outra. E agora falam de intervenção federal, e ninguém sabe direito o que é isso. É muito emblemático ver um governador preso, mesmo que a prisão não seja punitiva (é preventiva) e não seja sobre os atos de corrupção, mas sobre uma tentativa de suborno. Os que fazem zum zum zum pedindo “Fora, Arruda” comemoram e se acham, em parte, responsáveis pelo afastamento do governador. E devem ser mesmo.

A ideia da intervenção é mágica para as pessoas cheias de ideologias, como eu. Um justiceiro que tiraria todo o poder das mãos de quem o usa sem dignidade e reconstruiria a cidade, 50 anos depois de sua inauguração. Aí me puxo um pouco para a realidade e lembro que não é bem assim. O justiceiro também terá seus interesses políticos e alguém vai se dar bem com isso.

Hoje consigo ver tudo com bons olhos, mesmo os escândalos e a sujeira por aqui. Um governador preso, afastado e sem partido. Um ex-vice que renunciou e também se desfiliou, não terá como concorrer neste ano. O deputado da meia, ex-presidente da Câmara, que renunciou hoje e também não volta em 2011. Ih, aí lembro do Roriz. Gravou programa pelo PSC, expressando sua tamanha vergonha, “meu Deus do céu”.

Mesmo assim, um belo presente de limpeza e exemplo para o país. O centro do poder está desgovernado, tudo porque alguém se mexeu e os de cima caíram, um a um. As alianças e segredinhos ainda estão sendo costurados, eu sei. Mas acredito que Brasília cresceu com isso. A Disneylândia amadurece e aterrisa na realidade. Dura realidade.

Escrito por cintyafeitosa

27 27UTC fevereiro 27UTC 2010 em 3:03 am

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Diário de uma foca – desventuras em série (I)

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A vida tem uns acontecimentos bem pertinentes.

Fato 1: Hoje fui fazer uma matéria que envolvia uma história de meninos desaparecidos em Luziânia. Quem tem trabalhado nas redações nos últimos tempos sabe como esse tipo de história causa pânico rs. Mas não era nada disso. Três meninos entre 10 e 12 anos fugiram no carnaval e foram encontrados hoje (quarta, 24/2) em Brasília. Tranquilos e calmos no Parque da Cidade, ganhando cama quente, comida boa, roupa limpa e um monte de recreação.

Eles fugiram porque um dos garotos era abrigado pelo Conselho Tutelar da cidade goiana, e resolveu que não queria mais ficar lá. Simples assim. E, pasmem, o menino de 12 anos tinha costume de fugir de casa e ficar sem dar notícias. Mas esse, segundo a mãe, foi o maior período de fuga do garoto. Foi super bem recebido pela mãe aflita, que disse que em casa havia roupa nova esperando por seu “bebê”, além de muito carinho e amor.

Fato 2: Saí da redação 1 hora atrasada, o que pode ser considerado meu horário normal, e desci para pegar meu velho ônibus. Tá, nem tão velho assim. Um garoto tampinha pediu dinheiro ao rapaz que estava sentado esperando seu transporte. Em vão. Não ganhou nadica. Muito menos de mim. Em menos de dois minutos, uma moça que estava atrás de mim disse “Meu Deus! Eles estão roubando a mulher!”. Um grito estridente chegou até meus ouvidos e dirigi meu olhar ao final da calçada, próximo à curva. O tampinha roubou a bolsa de uma mulher. Um rapaz que passava perto conseguiu alcançá-lo e devolveu os pertences da moça, que assim como eu, saía de seu trabalho e teria de esperar exausta por seu ônibus.

E aí me perguntei: seria esse menino um fugitivo, que disse por aí que não tem família nem casa e nem pra onde ir? Sem fazer julgamentos, mas são coisas a se pensar.

Escrito por cintyafeitosa

25 25UTC fevereiro 25UTC 2010 em 2:25 am

Publicado em Jornalismo

Omelete da Dilma

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Ontem logo cedo entrei no meu twitter e vi: Dilma Rousseff entre os dez assuntos mais citados pelos usuários da rede social no Brasil. É positivo, visto que nos dias anteriores cinco entre os dez eram nomes do Big Brother Brasil. A ministra, pouco popular na rede, estava lá graças à sua visita ao programa SuperPop, da RedeTV, apresentado pela inteligentíssima Luciana Gimenez.

No programa, a ministra falou de sua vida pessoal, tentou se igualar ao grau de QI da apresentadora e do público e tentou mostrar seus dotes culinários. Um fiasco, aliás. O que seria omelete virou um mexidão de ovos. Mas a cozinha é o que menos importa. A ida de Dilma ao programa foi amplamente criticada por pessoas comuns e por políticos dos outros partidos. O agradável Demóstenes Torres (DEM-GO), por exemplo, postou mais de oito mensagens sobre o assunto.

Estratégia de marketing ou não, bem sucedida ou não, a ministra ficou na boca do povo pela primeira vez nos últimos tempos. Os opositores não perceberam que quanto mais citavam Dilma em suas críticas, mais o povo ia atrás para saber do que se tratava. É isso que a internet faz. E essa campanha virtual em 2010 promete. Agora a presidenciável passou de “desconhecida” a “ministra que foi ao SuperPop cozinhar”. Está bem certo que ela não pode querer ser um Lula. O carisma é uma coisa que já está nele, sem forçar. Mas pode usar muitas coisas a seu favor. Até um mexidão de ovos.

Escrito por cintyafeitosa

6 06UTC fevereiro 06UTC 2010 em 4:01 pm

Publicado em política

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